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Amália Taborda Bulhões Cruz, mãe de Oswaldo Cruz. s.l.; s.d. Acervo da família 

Oswaldo Cruz, nascido em 5 de agosto de 1872, foi o primeiro filho de Bento Gonçalves Cruz e Amália Taborda Bulhões Cruz. Foi também o único homem. Depois dele, nasceriam cinco meninas: Eugênia – que morreria ainda criança –, Amália, Alice, Noemi e Hortênsia.

Bento era filho de um próspero comerciante da rua do Senado, no Rio de Janeiro. Órfão de pai e mãe ainda criança, fora criado, junto com a irmã, por um tio, José Pinto Magalhães. Sem vocação para os negócios, Magalhães, não demorou muito, perdeu toda a herança de oitenta contos de réis deixada pelo pai de Bento.

Apesar da infância pobre, Bento não precisou largar os estudos. Quando o fez foi por vontade própria. Já aluno da Faculdade de Medicina, interrompeu o curso para lutar como voluntário do Exército brasileiro na Guerra do Paraguai (1865-1870). A decisão chocou a família, mas o patriotismo do jovem estudante falara mais alto.

Bento se formou no final de 1870 e foi para São Luís do Paraitinga, um próspero centro agrícola do Vale do Paraíba paulista, iniciar sua carreira. Ali montou clínica, formou clientela, adquiriu reputação. Era uma prática comum no século XIX: médicos recém-formados, jovens em sua maioria, pegavam seus diplomas e partiam para alguma cidade do interior do país em busca de trabalho e boas remunerações.

Em 1871, voltou brevemente ao Rio de Janeiro para se casar com sua prima Amália Taborda Bulhões, moça culta e de hábitos requintados, versada nos românticos franceses, e que lia Dante no original. Os pais de Amália, Pedro Taborda de Bulhões e Zeferina Josefa Pinto Magalhães, eram professores em Petrópolis, na região serrana do Rio. Amália tinha duas irmãs: Luíza, a mais velha, e Hortênsia. Segundo se conta, Pedro era muito apegado às filhas e não queria que elas se casassem. Luíza e Hortênsia seguiram a vontade do pai. Amália, de espírito mais independente, resolveu contrariá-lo.

Oswaldo viveu em São Luís do Paraitinga, mais precisamente na chácara do Dizimeiro, residência da família, até os 5 anos de idade. Em 1877, seu pai reuniu o bom dinheiro que acumulara e decidiu voltar para o Rio de Janeiro. Instalou-se com a família em uma casa no bairro da Gávea, ainda um tranquilo arrabalde que as linhas de bonde mal começavam a ligar ao centro da cidade. Bento montou consultório em sua própria residência e parte de sua clientela foi recrutada entre os operários das indústrias que estavam se estabelecendo na região. Uma delas era a Fábrica de Tecidos Corcovado, na qual iria ingressar algum tempo depois como médico contratado.

Quando chegou ao Rio, o pequeno Oswaldo já estava alfabetizado. Aprendera as primeiras letras com a mãe, mas ainda não tinha ido à escola. Foi então matriculado no Colégio Laure, onde fez o primário. Estudou também no Colégio São Pedro de Alcântara e em seguida no tradicional Colégio Pedro II, principal estabelecimento de ensino do país na época, onde realizou os exames preparatórios para ingresso no ensino superior.